Uso e persistência do cabotegravir injetável de ação prolongada entre usuários nos EUA
Com aplicação bimestral, o cabotegravir injetável de ação prolongada (CAB-LA), como profilaxia pré-exposição (PrEP), representa uma alternativa ao esquema oral diário na prevenção ao HIV, embora ainda seja uma opção limitada. Para entender melhor o cenário de implementação do CAB-LA, Shi Hao Koh, da Universidade Emory, e outros colaboradores publicaram um artigo na edição de junho do JAMA Network Open investigando sua adoção e persistência entre usuários de PrEP nos Estados Unidos ao longo de dois anos.
De 2022 a 2024, foram encontrados 24.194 usuários de CAB-LA, o que representa apenas 3% de todos os que usam PrEP no mesmo período (781.040). Investigando o perfil desses usuários, os resultados apontaram para um público majoritariamente do sexo masculino (85%), com idade média de 37 anos e seguro de saúde (68%). As mulheres, contudo, apresentaram uma proporção relativamente maior de uso de CAB-LA do que de PrEP oral (15% contra 11%), diferença que, segundo os autores, pode estar relacionada à maior familiaridade com medicamentos injetáveis, como os contraceptivos, ou à maior aceitabilidade das formulações injetáveis da profilaxia.
Em relação à persistência, apenas 50% dos usuários mantiveram-se com o CAB-LA no primeiro ano, número que caiu para 23% após dois anos. Quando consideradas também as pessoas que migraram da CAB-LA para a PrEP oral, os números de persistência foram ligeiramente maiores: de 57% para o primeiro ano e 30% após dois anos. Esse resultado contrasta com os ensaios clínicos, que reportaram persistência entre 73% a 90% no primeiro ano e 85% no segundo.
O estudo evidencia, portanto, que a eficácia de uma nova tecnologia não garante, por si só, sua ampla adoção. O sucesso demonstrado em estudos reforça a necessidade de se aprimorar as estratégias de implementação em diferentes cenários, aproximando a eficácia demonstrada em condições controladas dos resultados observados na prática. Além disso, as disparidades observadas no perfil dos usuários demonstram que essas estratégias não podem ser uniformes, devendo considerar as características e necessidades específicas de diferentes grupos, especialmente daqueles que enfrentam maiores barreiras de acesso e persistência de uso.
Link para o artigo: https://jamanetwork.com/journals/jamanetworkopen/fullarticle/2850839



