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Incidência, hospitalizações e mortes por doença avançada pelo HIV na África do Sul

Embora a doença avançada pelo HIV seja um grave problema de saúde pública na África do Sul, inclusive entre pessoas em uso da terapia antirretroviral (TARV), as estimativas de incidência desse estágio da infecção pelo vírus continuam escassas no país.

Conduzido por Sanele Mbeje, da Universidade de KwaZulu-Natal, em Durban, na África do Sul, e outros pesquisadores, estudo examinou essa incidência e seu impacto nas hospitalizações e mortes entre pacientes locais. A análise foi apresentada, em forma de pôster, na 26ª Conferência Internacional sobre AIDS (AIDS 2026), realizada, de 26 a 31 de julho, no Rio de Janeiro, Brasil.

De setembro de 2018 a outubro de 2024, os investigadores realizaram um estudo retrospectivo usando dados laboratoriais da Discovery Health, organização de gestão da saúde da África do Sul. Foram considerados elegíveis todos aqueles que vivessem com HIV, maiores de 15 anos e que estivessem em uso de TARV.

No total, 17.767 participantes, com mediana de idade de 37 anos, acabaram incluídos na pesquisa, dos quais 58,2% eram do sexo feminino. A incidência de doença avançada pelo HIV variou de 25,4% em 2018 para 21,3% em 2024. Desses, 43,1% foram hospitalizados pelo menos uma vez e 3% morreram durante o período de acompanhamento.

Pacientes com doença avançada pelo HIV que iniciaram a TARV tardiamente apresentavam 15,9 vezes mais chances de óbito, além de um tempo 81% menor até a primeira internação hospitalar, em comparação com os voluntários no mesmo estágio da infecção pelo vírus que começaram o tratamento no momento do diagnóstico.

As principais causas de morte foram tuberculose e mortalidade não especificada relacionada ao vírus entre pessoas com e sem doença avançada pelo HIV, respectivamente. Sangramento vaginal anormal e depressão foram os principais motivos de hospitalizações entre participantes com doença avançada pelo HIV, enquanto pneumonia, gastroenterite e sepse foram as principais causas de internação entre aqueles que não se encontravam nesse estágio da infecção pelo vírus.

Os autores afirmam que a incidência de doença avançada pelo HIV continua significativamente alta e preocupa as autoridades de saúde na África do Sul. Eles destacam que o risco elevado de internação deve sobrecarregar hospitais e clínicas especializados no tratamento do vírus, além de aumentar o ônus econômico do país.

Fonte: site da AIDS 2026, de 29 de julho de 2026.

(https://ias.reg.key4events.com/key4register/AbstractList.aspx?e=106&preview=1&aig=-1&ai=68243)