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Disparidades em saúde mental entre mulheres transgênero vivendo com HIV

Mulheres transgênero e pessoas transfemininas enfrentam uma carga desproporcional de problemas de saúde mental, impulsionada pelo estigma e desigualdades estruturais, com desafios adicionais relacionados ao diagnóstico e barreiras de acesso ao tratamento do HIV.

Publicado em 7 de maio de 2026, na revista The Lancet HIV, estudo de meta-análise examinou a prevalência de problemas de saúde mental e o uso de substâncias entre mulheres transgênero e pessoas transfemininas vivendo com o vírus. O ensaio foi conduzido por David Coelho, da Universidade de Harvard, em Boston, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores.

De janeiro de 2022 a janeiro de 2025, os investigadores buscaram, em seis grandes bancos de dados internacionais, por ensaios clínicos que relatassem desfechos de saúde mental e uso de substâncias entre essa população. Foram considerados elegíveis estudos que contassem exclusivamente com mulheres transgênero, todas maiores de idade.

Dos 6.293 pesquisas avaliadas, apenas 63, que contabilizavam 8.030 participantes, atenderam aos critérios de elegibilidade e acabaram selecionados para a meta-análise. A maioria das análises (90%) foi realizada nas América do Norte, Central e do Sul e na Europa.

No total, 40% das pesquisadas foram diagnosticadas com sintomas depressivos, 29% tiveram ideação suicida, 26% tentaram o suicídio, 39% registraram sintomas de ansiedade, 33% apresentaram sintomas de transtorno de estresse pós-traumático e 50% sofreram com discriminação de gênero.

Em relação à utilização de substâncias, 61% informaram o uso de tabaco, 40% o uso recreativo de álcool, 31% o uso nocivo de álcool, 35% o uso de maconha, 36% o uso de cocaína, 29% o uso de crack, 18% o uso de anfetaminas, 17% o uso de opioides e 25% o uso de drogas injetáveis. Quase um terço (32%) disseram já ter praticado chemsex (consumo de substâncias químicas para fins sexuais) em pelo menos uma ocasião.

De acordo com os autores, os achados dessa meta-análise enfatizam a necessidade de modelos integrados de cuidados com o HIV, que incorporem triagem de saúde mental associada a intervenções culturalmente afirmativas. Destacam que políticas públicas que visem combater as desigualdades estruturais também são importantes para preservar o bem-estar emocional dessa população.

Fonte: site da The Lancet HIV, de 7 de maio de 2026.

(https://www.thelancet.com/journals/lanhiv/article/PIIS2352-3018(26)00004-4/abstract)