Intenção de uso das modalidades de PrEP e de hipotética vacina contra o HIV entre minorias sexuais e de gênero no Brasil, México e Peru
Nos últimos anos, diferentes modalidades de profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV têm sido desenvolvidas e disponibilizadas. Para potencializar a efetividade dessas opções, sobretudo entre as populações mais vulneráveis, entender as preferências e o perfil dos usuários e interessados no uso da PrEP é essencial. É nesse contexto que se insere um estudo publicado na edição de fevereiro de 2026 do periódico JMIR Public Health and Surveillance.
Conduzido por Jazmin Qquellon, da Universidade Peruana Cayetano Heredia, e colaboradores, inclusive do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas/Fiocruz-RJ *, o estudo incluiu 16.951 participantes de minorias sexuais e de gênero do Brasil, México e Peru. Com os voluntários incluídos por meio de aplicativos de relacionamento e redes sociais de abril a agosto de 2021, o objetivo central foi analisar fatores associados à disposição para uso de quatro modalidades de PrEP — oral (diária, sob demanda e mensal) e injetável bimestral — e de uma vacina contra o HIV.
Os resultados indicaram que as formulações de longa ação, como a PrEP oral mensal (74,4%) e a injetável bimestral (60,2%), foram as mais aceitas entre os participantes, superando a modalidade oral diária (65,8%) e, sobretudo, a oral sob demanda, que registrou apenas 38% de aceitação. Por sua vez, a vacina de HIV também apresentou elevada intenção de uso (82,8%), embora ainda não exista um imunizante eficaz disponível.
Observaram-se diferenças significativas entre os países, especialmente no Peru, que demonstrou menor disposição para todas as modalidades em comparação com Brasil e México. Segundo os autores, tal discrepância pode ser explicada pela disponibilização da PrEP oral no sistema público de saúde no Brasil e no México, em 2017 e 2021, respectivamente, aliada a programas contínuos de ampliação e divulgação do uso da profilaxia. O Peru começou a oferecer a PrEP oral para populações mais vulneráveis apenas em 2023.
Apesar da alta aceitabilidade das formulações de PrEP de ação prolongada entre minorias sexuais e de gênero na América Latina, como a oral mensal e a injetável bimestral, os autores defendem a necessidade de mais estudos para embasar o direcionamento de políticas públicas efetivas. Pesquisas futuras deverão investigar não apenas as preferências declaradas, mas também aprofundar a compreensão sobre as lacunas no conhecimento das modalidades preventivas, garantindo, assim, um acesso equitativo à prevenção para o HIV.
Link para o artigo: https://publichealth.jmir.org/2026/1/e75753
* Autores do artigo:
Jazmin Qquellon (1), Kelika Konda (1, 2), Oliver Elorreaga (1), Hamid Vega-Ramirez (3), Centli Díaz-Barriga (4), Dulce Díaz-Sosa (5), Brenda Hoagland (6), Juan Guanira (1), Marcos Benedetti (6), Cristina Pimenta (6), Beatriz Grinsztejn (6), Carlos Cáceres (1), Valdiléa Veloso (6) e Thiago Torres (6).
(1) Centro de Investigação Interdisciplinar em Sexualidade, Aids e Sociedade, Universidade Peruana Cayetano Heredia, Lima, Peru
(2) Divisão de Prevenção de Doenças, Políticas e Saúde Global, Departamento de Ciências da População e Saúde Pública, Escola de Medicina Keck, Universidade do Sul da Califórnia, Los Angeles, EUA
(3) Divisão de Epidemiologia e Pesquisa Psicossocial, Instituto Nacional de Psiquiatria Ramón de la Fuente Muñiz, Cidade do México, México
(4) Faculdade de Psicologia, Universidade Nacional Autônoma do México, Cidade do México, México
(5) Departamento de Ciências da Saúde, Universidade Autônoma Metropolitana, Lerma de Villada, México
(6) Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil.



