HIV, IST e Outros

Efeitos do estigma na experiência de envelhecer com HIV no Brasil

O estigma relacionado ao HIV pode impactar de muitas maneiras a rotina de pessoas vivendo com HIV, especialmente as mais velhas. Nesse cenário, um estudo buscou compreender os efeitos desse estigma entre pessoas brasileiras mais velhas vivendo com HIV, avaliando fatores associados e os impactos nos sintomas depressivos e na expectativa de envelhecimento. Publicado na edição de março do periódico AIDS Research and Therapy, o estudo foi conduzido por Marília Antonio, da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo, e colaboradores*, incluindo pesquisadores do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz-RJ.

No total, 702 pessoas vivendo com HIV, com idade de 50 anos ou mais, foram incluídas na análise, de outubro de 2022 a junho de 2023, com 64,8%  de homens e 35,2% de mulheres. Todos os participantes faziam uso de terapia antirretroviral e apresentavam supressão da carga viral. O estigma de HIV e fatores associados foram avaliados a partir de três questionários validados.

A pontuação de estigma de HIV foi considerada moderada (mediana de 30, em uma escala de 12 a 48), enquanto as expectativas de envelhecimento foram majoritariamente negativas (pontuação média de 36, em uma escala de 0 a 100 — quanto menor, pior). Além disso, um quarto (25%) dos participantes relatou ter ao menos depressão leve e 16% de moderada a grave.

Os achados do artigo demonstram um impacto significativo do estigma na experiência e nas expectativas de envelhecer com HIV no Brasil. Tais resultados ressaltam a importância de estratégias integradas para reduzir estigmas e oferecer suporte à saúde mental para essa população.

Link para o artigo: https://link.springer.com/article/10.1186/s12981-026-00867-4

Autores:

Marília Antonio (1), Thiago Torres (2), Paula Luz (2), Beatriz Grinsztejn (2), Sandra Cardoso (2), Roberta Nogueira (5), Lucas Ramos (5), José Madruga (5), Carlos Brites (6), Estela Luz (6), Tamara Cordeiro (6), Márlon Aliberti (3, 4), Esper Kallás (1) e Jessica Castilho (7).

(1) Departamento de Doenças Infecciosas e Parasitárias, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

(2) Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil

(3) Laboratório de Investigação Médica em Envelhecimento – LIM-66, Serviço de Geriatria, Hospital das Clínicas, Faculdade de Medicina, Universidade de São Paulo, São Paulo, Brasil

(4) Instituto de Pesquisa, Hospital Sírio-Libanês, São Paulo, Brasil

(5) Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids, São Paulo, Brasil

(6) Hospital Universitário Professor Edgard Santos, Salvador, Brasil

(7) Divisão de Doenças Infecciosas, Centro Médico da Universidade Vanderbilt, Nashville, EUA.