PrEP oral e o risco de IST entre mulheres quenianas
A profilaxia pré-exposição (PrEP) reduz significativamente a incidência do HIV, quando utilizada de maneira adequada, mas não oferece proteção contra infecções sexualmente transmissíveis (IST) de origem bacteriana, como sífilis, clamídia e gonorreia.
Estudo publicado em 9 de março de 2026, na revista Plos One, avaliou a associação entre a PrEP oral diária e o risco de IST bacterianas entre mulheres que vivem no Quênia. A análise foi conduzida por David Musaka, da Universidade de Washington, em Seattle, nos Estados Unidos e outros pesquisadores.
Os investigadores realizaram, de junho de 2021 a fevereiro de 2024, um ensaio clínico com mulheres cisgênero, maiores de 15 anos, em alto risco de aquisição do HIV, que frequentavam clínicas de planejamento familiar do Quênia. Todas as participantes receberam a PrEP oral diária (com a opção de recusar) e foram acompanhadas trimestralmente por 12 meses. O acompanhamento abrangia testes de IST e HIV, além de avaliações de comportamentos sexuais e de uso da PrEP.
Das 650 mulheres incluídas na pesquisa, 60% iniciaram a PrEP no momento da inclusão, 14,6% começaram a usá-la no decorrer do estudo e 25,4% a recusaram. No total, 40% das voluntárias eram menores de 24 anos e 67% não conheciam o status de HIV do principal parceiro sexual. A mediana de idade da amostra foi de 26 anos.
Durante o período de acompanhamento, 19,1% registraram pelo menos um diagnóstico de IST, com risco semelhante entre as que tomavam PrEP e aquelas que a recusaram (19,2% contra 18,9%, respectivamente). O risco de IST foi consideravelmente maior entre as que tinham menos de 24 anos e apresentavam diagnósticos anteriores de sífilis, clamídia ou gonorreia.
Também foram registradas quatro infecções pelo HIV. Três delas em voluntarias que optaram por não utilizar a PrEP e a outra em uma mulher que relatou o uso inconsistente da profilaxia nos meses anteriores ao diagnóstico.
De acordo com os autores, a utilização da PrEP não foi associada a um risco aumentado de novos diagnósticos de IST entre as mulheres quenianas. Eles ressaltam que a incidência do HIV foi considerada baixa durante o estudo, o que confirma a alta eficácia da profilaxia na prevenção ao vírus.
Fonte: site da Plos One, de 9 de março de 2026.
(https://journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1004962)



