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The Lancet Infectious Diseases: Brasil inicia estudo de implementação do lenacapavir

O estudo ImPrEP LEN Brasil, que investiga o lenacapavir para a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV em adultos e jovens, em sete cidades brasileiras, foi lançado em janeiro de 2026.

(Fonte: The Lancet Infectious Diseases, em reportagem de Tony Kirby, abril de 2026)

O Brasil iniciou um estudo de implementação – o ImPrEP LEN Brasil –  do lenacapavir injetável, duas vezes ao ano, como profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV, em sete cidades do país: Rio de Janeiro, Nova Iguaçu, São Paulo, Campinas, Salvador, Florianópolis e Manaus. O estudo, liderado por Beatriz Grinsztejn, chefe do Laboratório de IST/AIDS do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz-RJ, e presidente da Sociedade Internacional de Aids, é financiado pela Unitaid, com apoio do Ministério da Saúde do Brasil. O lenacapavir do estudo foi doado pelo seu fabricante, a Gilead Sciences.

Em 12 de janeiro de 2026, a Agência Nacional de Saúde do Brasil seguiu outras agências globalmente similares ao aprovar o LEN para uso como PrEP. Outro estudo, na África do Sul, também financiado pela Unitaid, está sendo liderado pelo Instituto de Saúde Reprodutiva e HIV da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo.

Grinsztejn explicou que as sete cidades foram selecionadas por terem equipes de prevenção do HIV bem estabelecidas, infraestrutura e programas de PrEP oral. Ela afirmou: “Em vez de recrutar ativamente participantes, o estudo irá incluir pessoas que busquem espontaneamente por serviços de proteção do HIV nesses centros. Os participantes elegíveis incluem gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens, homens e mulheres transgênero e pessoas não-binárias, com idades de 16 a 30 anos. O estudo tem como objetivo incluir 1.500 participantes para usar o lenacapavir”.

Os participantes participarão de processo educacional realizado por meio de uma ferramenta de saúde móvel desenvolvida especificamente para o estudo, com sólido engajamento da comunidade. O processo educacional apoiará a escolha informada entre PrEP oral, PrEP injetável com LEN ou preservativos e testes regulares de HIV.

Os participantes do estudo passarão por uma avaliação de risco do HIV com um profissional capacitado e, se escolherem o lenacapavir, realizarão uma avaliação clínica (incluindo teste de HIV) para receber sua primeira injeção no mesmo dia. As consultas de acompanhamento ocorrerão após 30 dias e a cada seis meses após a inclusão, vinculadas ao esquema de dosagem do LEN, com lembretes de consultas enviados via WhatsApp. “Aqueles participantes do estudo que inicialmente escolherem a PrEP oral ou preservativos poderão, posteriormente, mudar para o lenacapavir, de acordo com a disponibilidade”, explicou Grinsztejn.

Grinsztejn afirmou que o novo estudo, ao observar a continuidade, a retenção e os resultados em diferentes trajetórias de prevenção, fornecerá informações cruciais sobre como a PrEP de longa duração pode fortalecer o acesso abrangente à prevenção do HIV como um direito. Em última análise, as descobertas apoiarão a expansão de serviços de prevenção equitativos, integrados e responsivos, particularmente para a população em situação de maior vulnerabilidade.

Embora haja pouca dúvida sobre o impacto potencial que o lenacapavir pode ter na prevenção do HIV em todo o mundo, a realidade do custo não pode ser ignorada, em especial no Brasil, que atualmente não possui acordos para a produção de LEN genérico. Mas Grinsztejn afirma: “Temos esperança de que o fabricante possa negociar com o Ministério da Saúde do Brasil um preço acessível para a futura incorporação do lenacapavir em nosso sistema público de saúde, que é o maior sistema público de saúde universal do mundo. Paralelamente, o fortalecimento da capacidade local e internacional para a produção de formulações genéricas de longa duração é essencial para garantir a sustentabilidade em longo prazo dos programas de HIV, expandir o acesso equitativo a tecnologias inovadoras e reduzir as barreiras estruturais à prevenção em países de baixa e média renda”.

Linda-Gail Bekker, diretora do Centro Desmond Tutu para o HIV, da Universidade da Cidade do Cabo, na África do Sul, diretora executiva da Fundação Desmond Tutu para a Saúde, além de pesquisadora principal do estudo PURPOSE 1, sobre eficácia do lenacapavir na África do Sul e líder de um estudo separado de implementação do LEN, financiado pela Fundação Gates, chamado ALGIN, que avalia o lenacapavir para PrEP entre adolescentes e jovens (de 15 a 35 anos) que vivem no subdistrito de Klipfontein-Mitchell, na Cidade do Cabo, avalia que o impacto do LEN pode ser enorme em mulheres e jovens meninas.

“Sabemos que temos uma grande necessidade não atendida de prevenção biomédica discreta e fácil de usar para mulheres e jovens meninas”, afirmou Bekker. “Elas adotam a PrEP oral, mas acham desafiador persistir por motivos de logística, como lembrar de tomar os comprimidos diariamente, estigma (como o barulho dos comprimidos na bolsa) e discrição (frascos de comprimidos que se parecem com antirretrovirais). Acredito que a PrEP injetável de longa duração aliviará alguns desses desafios e tornará possível para as mulheres e jovens meninas usarem e persistirem com a PrEP. Isso tem o potencial de reduzir novas infecções nesse grupo que enfrenta a ameaça de contrair o HIV diariamente em nossos ambientes”.

Fonte: site da revista The Lancet Infectious Diseases, de abril de 2026. (https://www.thelancet.com/journals/laninf/article/PIIS1473-3099(26)00128-3/abstract?rss=yes)