Anticorpo amplamente neutralizante mantém a supressão do HIV por pelo menos um ano
O estudo EMBRACE, conduzido por Charlotte-Paige Rolle, do Centro de Imunologia de Orlando, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores, testou a eficácia de um anticorpo amplamente neutralizante, chamado lotivibart, associado ao cabotegravir, como terapia antirretroviral (TARV) ao HIV na modalidade injetável de longa duração. O ensaio foi apresentado na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas – CROI, realizada de 22 a 25 de fevereiro de 2026, em Denver (EUA).
O estudo, realizado em 45 centros de estudos dos Estados Unidos e de Porto Rico, de 2022 a 2025, incluiu 125 adultos vivendo com HIV, que estivessem em TARV estável há pelo menos seis meses e registrassem supressão viral (carga viral inferior a 50 cópias/ml). Todos foram triados para garantir que o HIV fosse sensível ao lotivibart.
Os participantes não tinham histórico prévio de falha virológica, apresentavam contagem média de CD4 de 647 células/mm³ e não possuíam diagnóstico ativo de hepatite B. Pouco mais de 80% eram do sexo masculino (com mediana de idade de 53 anos), 63% brancos, 28% negros e 43% com etnia latina.
Durante o período de acompanhamento da pesquisa, os voluntários foram divididos em três grupos distintos. O grupo 1 recebeu uma injeção intramuscular mensal de 400 mg de cabotegravir e uma infusão intravenosa (administração de medicamentos na corrente sanguínea por meio de um cateter) de 60 mg/kg de lotivibart a cada quatro meses; o grupo 2 recebeu uma injeção intramuscular mensal de 400 mg de cabotegravir e uma injeção subcutânea de 300 mg de lotivibart a cada quatro meses; e o grupo 3, em que os participantes mantiveram o esquema oral que já utilizavam.
Ao final do primeiro ano de tratamento, 96% das pessoas do grupo 1 e quase 90% dos voluntários do grupo 2 mantiveram a supressão viral. Para efeito de comparação, 96% dos participantes do grupo 3, que não mudaram o tratamento oral, também continuaram com o vírus suprimido.
Com base nesses resultados, os autores concluíram que as infusões de lotivibart demonstraram maior eficácia e um perfil de segurança e tolerabilidade mais favorável quando comparadas com as injeções. Eles informam que a próxima fase estudo vai testar infusões do lotivibart a cada seis meses, combinadas com injeções bimestrais de cabotegravir.
Fonte: site do Aidsmap, de 2 de março de 2025.



