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Estudo revela alto interesse, mas baixo conhecimento e uso da Doxi-PEP em países da América Latina

Um problema de saúde pública relevante em países da América Latina é a alta incidência de infecções sexualmente transmissíveis (IST) entre minorias sexuais e de gênero. Uma das tecnologias com potencial para responder a esse cenário de maneira efetiva é a profilaxia pós-exposição com doxiciclina (Doxi-PEP), cuja aceitabilidade e conhecimento ainda necessita de investigação.

Em um recente artigo publicado na edição de abril de 2026 do periódico The Lancet Regional Health Americas, Mayara Secco, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz-RJ e outros colaboradores* realizaram um estudo transversal para buscar compreender o interesse, o conhecimento e o uso da Doxi-PEP entre minorias sexuais e de gênero do Brasil, México e Peru. De agosto a dezembro de 2024, a pesquisa incluiu 16.081 participantes, recrutados por meio de aplicativos de relacionamento e redes sociais a partir de um questionário on-line.

Os resultados revelaram um paradoxo importante: embora apenas 37,7% dos participantes tivessem conhecimento sobre a Doxi-PEP e 7,2% a tenham utilizado, o interesse declarado foi consideravelmente elevado: 88,3%. No total, 16% já haviam tido diagnóstico prévio de IST, sendo que aqueles com mais de cinco parceiros sexuais e uso de estimulantes  apresentaram maior probabilidade de conhecer a Doxi-PEP. Os pesquisadores notaram, ainda, outros fatores associados ao conhecimento prévio sobre a Doxi-PEP: maior homonegatividade internalizada, idade acima de 30 anos, maior conhecimento sobre HIV e nível de educação pós-secundária.

Embora o interesse em usar a Doxi-PEP tenha sido alto, o seu conhecimento e uso são baixos na América Latina. Segundo os autores, esforços direcionados são cruciais para alterar esse quadro, especialmente entre minorias sexuais e de gênero mais jovens, com baixos níveis de escolaridade e conhecimento limitado sobre HIV, além daquelas menos engajadas em serviços de prevenção.

*Autores do artigo:

Mayara Secco (1), Paula Luz (1), Kelika Konda (2, 3), Hamid Veja-Ramirez (4), Carolina Coutinho (1), Jazmin Qquellon (2), Rebeca Robles-Garcia (4), Brenda Hoagland (1), Emilia Jalil (1), Marcos Benedetti (1), Cristina Pimenta (1), Sandra Cardoso (1), Carlos Cáceres (2), Valdiléa Veloso (1), Beatriz Grinsztejn (1) e Thiago Torres (1).

(1) Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil

(2) Centro Interdisciplinar de Estudos em Sexualidade, Aids e Sociedade, Universidade Peruana Cayetano Heredia, Lima, Peru

(3) Escola de Medicina Keck, Universidade do Sul da Califórnia, Los Angeles, EUA

(4) Instituto Nacional de Psiquiatria Ramón de la Fuente Muñiz, Cidade do México, México.