Ministério da Saúde autoriza Doxi-PEP para prevenção de IST enquanto estudo em curso no INI/Fiocruz analisa cenário
Fonte: www.ini.fiocruz.br, por Julliana Reis
O Ministério da Saúde autorizou a ampliação do uso do antibiótico doxiciclina no Sistema Único de Saúde (SUS) como profilaxia pós-exposição (PEP) para prevenir sífilis e clamídia, após consulta pública aberta pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec).
A medida representa um marco na estratégia de prevenção combinada no Brasil e o SUS terá o prazo de até 180 dias para estruturar a oferta da nova modalidade de profilaxia.
A decisão acompanha os avanços de pesquisas na área, como o estudo Doxi-Rio, liderado pelo Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas (INI/Fiocruz). Pioneiro na América Latina ao analisar o uso da Doxi-PEP entre minorias sexuais e de gênero, o projeto está em andamento no município do Rio de Janeiro e fornecerá dados estratégicos para a implementação da profilaxia e a vigilância de resistência antimicrobiana.
Como funciona a Doxi-PEP
A estratégia consiste no uso de dois comprimidos do antibiótico doxiciclina em até 72 horas após uma relação sexual sem uso de preservativo. O medicamento atua interrompendo a multiplicação das bactérias Treponema pallidum (sífilis) e Chlamydia trachomatis (clamídia) antes que a infecção se estabeleça no organismo.
Essa abordagem é semelhante à PEP já utilizada para a prevenção do HIV e é indicada para grupos específicos com maior vulnerabilidade a essas infecções — como homens que fazem sexo com homens e mulheres transgênero —, conforme definido no novo Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas, do Ministério da Saúde.
“A princípio, não é para todos. A Doxi-PEP será ofertada no contexto da prevenção combinada, sobretudo para pessoas que tiveram diagnóstico de IST nos últimos 12 meses”, explica Mayara Secco, médica infectologista e pesquisadora do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV, Aids, IST e Hepatites, do INI/Fiocruz.
De acordo com o relatório técnico publicado pela Conitec, oferecer essa proteção extra pode ajudar a reduzir a carga da doença em todo o país, beneficiando a saúde pública.
O impacto na saúde pública
A incorporação é uma resposta ao aumento dos casos de sífilis e clamídia, infecções que podem causar complicações graves se não tratadas, como infertilidade, dor pélvica crônica e danos neurológicos ou cardíacos. No caso da sífilis, a prevenção também é uma ferramenta crucial no combate à sífilis congênita (transmitida de mãe para filho).
Especialistas do INI reforçam que a Doxi-PEP é uma ferramenta adicional e não substitui o uso de preservativos, a testagem regular e o tratamento de parcerias sexuais. Ao integrar a mandala da prevenção combinada, oferece mais autonomia e proteção para as populações assistidas.



