Vacina experimental contra o HIV produz anticorpos neutralizantes em 80% dos casos
Uma vacina experimental contra o HIV, desenvolvida pela Moderna, utilizando a tecnologia do RNA mensageiro (mRNA), alcançou respostas imunológicas potentes no ensaio clínico IAVI 002. Realizado nos Estados Unidos, o estudo foi conduzido por Jordan Willis, do Instituto de Imunologia La Jolla, localizado na cidade de San Diego, e outros pesquisadores. A publicação ocorreu, em 30 de julho de 2025, na revista Science Translational Medicine.
Os resultados da análise, transcorrida de novembro de 2021 a abril de 2023, indicam que a nova formulação gerou anticorpos neutralizantes em cerca de 80% dos participantes, com idades que variavam de 18 a 55 anos. Essa taxa foi considerada satisfatória, especialmente quando comparada com tentativas anteriores, que sempre enfrentaram dificuldades para induzir uma proteção mais robusta contra o vírus.
É importante ressaltar que o HIV possui uma estrutura viral complexa e mutável, o que torna o desenvolvimento de vacinas uma prática desafiadora. Um dos principais obstáculos envolve o chamado “trímero do envelope viral”, uma proteína que fica na superfície do vírus e serve como alvo para os anticorpos. Em vacinas convencionais, essa proteína precisa ser apresentada de forma solúvel, o que deixa uma região conhecida como “base” exposta e induz o sistema imunológico a produzir anticorpos ineficazes.
Para contornar o problema, os cientistas criaram duas versões da vacina de mRNA. A primeira seguiu o modelo tradicional, com a proteína solúvel, enquanto a segunda induziu o corpo a produzir a proteína do HIV já ligada à membrana celular, o que imita de forma mais precisa o vírus real e evita a ativação de anticorpos direcionados à base do envelope.
Nos testes realizados em coelhos e macacos, a vacina ligada à membrana apresentou resultados promissores. Em seguida os pesquisadores avançaram para uma etapa com 108 voluntários humanos, que frequentavam dez centros de estudos norte-americanos especializados no HIV, em que os participantes receberam três doses da vacina e foram monitorados quanto à segurança e resposta imunológica da mesma.
Nessa fase, o desempenho da vacina ligada à membrana foi novamente satisfatório, com mais de 80% dos vacinados produzindo anticorpos neutralizantes. Por outro lado, a versão com a proteína solúvel teve uma resposta imunológica bem mais fraca, registrada em apenas 4% dos voluntários.
De acordo com os pesquisadores, os efeitos colaterais observados foram leves, sem registros de reações graves. A única exceção foi a taxa de urticária (irritação cutânea) um pouco acima da média, encontrada em 6,5% dos participantes.
Fontes: sites da Science Translational Medicine, de 30 de julho de 2025, e do Portal Metrópoles, de 31 de julho de 2025.
https://www.science.org/doi/10.1126/science.adr8382
(https://www.metropoles.com/saude/vacina-mrna-hiv-gera-anticorpos-80)



