Caracterização da aquisição do HIV em usuários de PrEP de longa duração com cabotegravir no estudo ImPrEP CAB Brasil
A aquisição do HIV durante o uso da profilaxia pré-exposição (PrEP) na modalidade injetável de longa duração, baseada no cabotegravir (CAB-LA), é bastante rara, mas representa um desafio importante para a detecção e o monitoramento do vírus em programas de prevenção.
Ensaio clínico, conduzido por Urvi Parikh, da Universidade de Pittsburgh, nos Estados Unidos, e Grupo de Estudos ImPrEP*, analisou as aquisições de HIV durante o ImPrEP CAB Brasil, estudo que buscou reunir subsídios visando a possível incorporação da PrEP injetável de longa duração entre as opções de prevenção ao HIV no país. A análise foi apresentada, em forma de pôster, na Conferência sobre Retrovírus e Infecções Oportunistas (CROI), realizada de 22 a 25 de fevereiro de 2026, em Denver, nos Estados Unidos.
De novembro de 2023 a setembro de 2024, 1.220 participantes, de 18 a 30 anos, que frequentavam seis serviços públicos de PrEP no Brasil (localizados no Rio de Janeiro, São Paulo, Campinas, Salvador, Manaus e Florianópolis), foram incluídos no estudo. Durante o período de acompanhamento, registraram-se quatro infecções pelo HIV.
Das quatro infecções diagnosticadas, o vírus foi detectado retrospectivamente no início da utilização da PrEP injetável de longa duração em um dos voluntários, em duas pessoas após onze meses de uso da profilaxia, com todas as injeções aplicadas dentro do prazo, e num quarto participante que havia recebido apenas a dose inicial de CAB, sem injeções subsequentes por 13 meses, quando retornou ao estudo e a infecção foi identificada.
Três dos quatro pacientes que adquiriram o HIV iniciaram a terapia antirretroviral (TARV) com medicamentos inibidores da integrase. Desses, dois apresentaram supressão viral de 6 a 12 meses após o início do tratamento. O outro suprimiu o vírus após mudar a TARV para um regime baseado em darunavir/ritonavir/fumarato de tenofovir desoproxila/lamivudina (DRV/r/TDF/3TC), devido à identificação de resistência à classe de medicamentos de inibidores de integrase. O quarto paciente abandonou o estudo.
Os autores afirmam que os achados da pesquisa confirmam a alta eficácia da PrEP injetável de longa duração e a raridade das infecções pelo HIV no período das injeções. Ao mesmo tempo, ressaltam a importância da realização de testes de alta precisão no local do atendimento e de dados adicionais relacionados à resistência aos inibidores da integrase.
*Grupo de Estudos ImPrEP:
Urvi Parikh(1), Brenda Hoagland(2), Jana Jacobs (1), Carolina Coutinho(2), Marcos Benedetti(2), Dianna Hoeth(1), Asma Naqvi(1), Amy Heaps(1), Kerri Penrose(1), John Mellors(1), Sandro Nazer(2), Roberta Trefiglio(2), Raphael Landovitz(3), Valdiléa Veloso(2), Beatriz Grinsztejn (2) e Grupo de Estudo ImPrEP
(1)Universidade de Pittsburgh, Pittsburgh, Estados Unidos
(2) Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil
(3)Universidade da Califórnia, Los Angeles, Estados Unidos.



