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Desenvolvimento e teste de um aplicativo de redução de danos para chemsex entre HSH

Um artigo publicado na edição de novembro de 2025 do periódico Harm Reduction Journal investigou a criação e o teste de um aplicativo digital de redução de danos, denominado UPrEPU, voltado para gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH) que praticam chemsex (uso de substâncias psicoativas antes e/ou durante o sexo). O trabalho foi conduzido por Carol Strong, da Universidade Nacional de Cheng Kung, e outros colaboradores.

O protótipo do aplicativo foi estruturado a partir de dois princípios de design: o conceito de “recuperação como um continuum“, que reconhece que os objetivos dos usuários podem variar entre abstinência, cessação temporária ou redução de danos; e a abordagem multidimensional da redução de danos, que abrange riscos relacionados às drogas, ao sexo e ao HIV.

Entre as funcionalidades do aplicativo estão: a definição de metas para reduzir ou monitorar a frequência do chemsex, o apoio à adesão à profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV, além de um sistema de alerta de emergência e um mapa com a localização de serviços de saúde, como programas de troca de seringas. Para testar o aplicativo, o estudo incluiu, em 2024, 20 HSH de Taiwan, que o utilizaram durante um mês, seguido da avaliação de usabilidade por meio de questionários padronizados e entrevistas qualitativas semiestruturadas.

Em geral, os usuários relataram uma percepção positiva do aplicativo, apontando, no entanto, que as funções relacionadas à PrEP foram usadas com mais frequência do que as voltadas para o gerenciamento do uso de drogas. Os voluntários sugeriram, ainda, que a definição de metas deveria ser mais intuitiva e sensível ao estado emocional do usuário, refletindo vivências concretas. As entrevistas também revelaram que o sistema de metas foi, por vezes, percebido como fonte de pressão psicológica. Por fim, os participantes enfatizaram que as ferramentas de apoio deveriam ir além das substâncias químicas e ajudar no planejamento de metas mais amplas de bem-estar.

A investigação evidencia que uma abordagem colaborativa entre profissionais de saúde e público-alvo é crucial para o desenvolvimento de ferramentas digitais realmente efetivas. Dessa forma, é possível criar soluções que se adaptem às necessidades dinâmicas e aos contextos reais de vida dos usuários, indo além de um design genérico e alcançando um impacto significativo na promoção da saúde.

Link para o artigo: https://link.springer.com/article/10.1186/s12954-025-01338-1