Incidência de cânceres cervical e anal em pessoas vivendo com HIV na América Latina
O câncer cervical (no colo do útero) e o câncer anal atingem desproporcionalmente a população de pessoas que vivem com HIV em todo o mundo. Estudo conduzido por Rachael Pellegrino, da Universidade Vanderbilt, em Nashville, nos Estados Unidos, e outros pesquisadores*, incluindo Emilia Jalil, do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz/RJ, examinou a incidência desses tipos de câncer em pessoas com HIV na América Latina. O ensaio foi publicado, em 11 de outubro de 2025, no Journal of the International Aids Society.
Os investigadores analisaram dados de pessoas que vivem com o vírus, da Rede de Epidemiologia do HIV do Caribe, América Central e América do Sul, obtidos de 2000 a 2020. Um total de 5.739 mulheres cisgênero foram incluídas na análise para câncer cervical. Registraram-se 27 casos da doença, que resultaram em uma taxa de 62,2 casos por 100.000 pessoas-ano.
Na análise para câncer anal, foram incluídos 12.489 gays, bissexuais e homens cisgênero que fazem sexo com outros homens (HSH), 7.324 homens cisgênero que não fazem sexo com outros homens e 5.739 mulheres cisgênero, totalizando 25.552 pessoas. A doença foi diagnosticada num total de 56. As taxas de incidência foram de 59,1, 20,7 e 15,2 casos por 100.000 pessoas-ano em HSH, em mulheres e em homens que não fazem sexo com outros homens, respectivamente.
As taxas de incidência de câncer anal não variaram significativamente de acordo com a idade dos participantes, mas diminuíram consideravelmente com o aumento da contagem de células CD4. As probabilidades de sobrevida em cinco anos após os diagnósticos de câncer cervical e câncer anal foram de, respectivamente, 72,6% e 58,5%.
Os autores reforçam a necessidade do rastreamento precoce, independentemente de sexo, orientação sexual e idade, para prevenir o surgimento desses tipos de câncer e reduzir a ocorrência de óbitos entre pessoas que vivem com HIV na região da América Latina.
Fonte: site do Journal of the International AIDS Society, de 11 de outubro de 2025.
(https://onlinelibrary.wiley.com/doi/10.1002/jia2.70050)
*Autores:
Rachael Pellegrino (1), Shengxin Tu (1), Rodrigo Ville-Benevides (2), Emilia Jalil (3), Staci Sudenga (1), Brenda Crabtree-Ramirez (2), Claudia Cortes (4), Diana Varela (5), Genevieve Hilaire (6), Cynthia Riviere (6), Eduardo Gotuzzo (7), Bryan Shepherd (1), Valeria Fink (8) e Jessica Castilho (1)
(1)Universidade Vanderbilt, Nashville, Estados Unidos
(2)Instituto Nacional de Ciências Médicas y Nutrição Salvador Zubirán, Cidade do México, México
(3)Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil
(4)Universidade do Chile, Santiago, Chile
(5) Hospital-Escola, Tegucigalpa, Honduras
(6)Centros GHESKIO, Porto Príncipe, Haiti
(7)Universidade Peruana Cayetano Heredia, Lima, Peru
(8)Fundação Huesped, Buenos Aires, Argentina.



