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Fatores associados à cascata de tratamento do HIV entre HSH no Brasil

Gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH) são desproporcionalmente afetados pelo HIV no Brasil. A cascata de tratamento do vírus (diagnóstico do HIV, uso de terapia antirretroviral – TARV e obtenção de carga viral indetectável) é uma importante estratégia de monitoramento clínico que envolve essa população.

Estudo publicado em 24 de janeiro de 2026, na revista Nature, teve como objetivo avaliar a cascata de tratamento junto a esse público específico e identificar fatores associados aos diferentes estágios da cascata. O ensaio foi conduzido por Ligia Kerr, da Universidade Federal do Ceará, em Fortaleza, e outros pesquisadores.

Os investigadores realizaram, de 2016 a 2024, um estudo transversal que incluiu 4.176 HSH, recrutados em unidades de saúde pública de 12 capitais do país. Todos eram maiores de 18 anos e relataram a prática de sexo oral ou anal com outro homem nos 12 meses anteriores.

No total, 18,5% apresentaram um diagnóstico positivo para HIV no momento da inclusão na pesquisa. Desses, apenas 55,5% possuíam conhecimento prévio de seu status sorológico (os demais descobriram viver com o vírus por meio de testes realizados pela equipe do estudo). Entre os voluntários que tinham conhecimento prévio do status sorológico, 98,4% realizavam a TARV e 79,4% registravam carga viral indetectável.

Os participantes que possuíam mais de 25 anos, ensino médio ou superior completo, pelo menos um diagnóstico anterior de outra infecção sexualmente transmissível e não se identificavam como bissexual apresentaram maior propensão de passar por todos os estágios da cascata de tratamento do HIV.

Para os autores, o principal desafio para o controle do vírus no Brasil reside no fato de que um número elevado de pessoas sequer conhece o seu próprio status de HIV. Ressaltam que campanhas de conscientização são necessárias para que a testagem seja ampliada e o país possa reduzir a incidência do vírus, principalmente entre as minorias sexuais e de gênero.

Fonte: site da Nature, de 24 de janeiro de 2026.

(https://www.nature.com/articles/s41598-025-27909-7#Abs1)