Comprimido de dupla prevenção a HIV e gravidez é bem aceito e eficaz entre mulheres do Zimbábue
Mulheres jovens do continente africano enfrentam um risco desproporcional de aquisição do HIV e de gravidez indesejada. Estudo conduzido por Nyaradzo Mgodi, da Universidade do Zimbábue, na cidade de Harare, e outros pesquisadores, testou a aceitação e a eficácia de um comprimido de dupla prevenção, combinando a profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV e um contraceptivo oral, entre mulheres jovens zimbabuanas. O ensaio foi publicado, em 18 de novembro de 2025, na revista Springer Nature.
De novembro de 2022 a setembro de 2023, 30 mulheres, de 16 a 24 anos e HIV negativas, foram randomizadas para receber diariamente o comprimido de dupla prevenção ou um regime baseado em dois comprimidos (um de PrEP e outro de um contraceptivo oral) em três ciclos de 28 dias cada um. Todas as participantes residiam em Harare e frequentavam clínicas ou hospitais públicos locais.
No total, 26 das 30 mulheres completaram a pesquisa. Entre essas, a adesão foi considerada alta (97% segundo autorrelato e 95% pela contagem dos comprimidos), sem uma diferença significativa entre as usuárias do comprimido de dupla prevenção e aquelas que utilizaram o regime de dois comprimidos.
Ao final de período de acompanhamento, 62% relataram preferir o comprimido de dupla prevenção, enquanto 38% demonstraram preferência pelo regime de dois comprimidos. Entretanto, todas consideraram ambos os esquemas como altamente aceitáveis.
Foram registradas duas gravidezes indesejadas, diagnosticadas em participantes que deixaram de tomar o comprimido de dupla prevenção em mais de uma ocasião. Não houve nenhum caso de soroconversão para o HIV.
Os autores afirmam que o comprimido de dupla prevenção se mostrou eficaz e seguro, sem o aparecimento de efeitos colaterais graves. Eles sugerem que novos estudos, com uma amostragem maior, podem fornecer informações mais precisas sobre o impacto do medicamento na prevenção do HIV e da gravidez indesejada, nessa e em outras populações vulneráveis ao vírus.
Fonte: site da Springer Nature, de 18 de novembro de 2025.
(https://link.springer.com/article/10.1007/s10461-025-04909-2)



