Avaliação dos níveis de conhecimento e utilização da PrEP no continente europeu
A edição de 17 de novembro de 2025 do site Aidsmap divulgou resultados de um estudo dedicado a examinar os níveis de conhecimento e utilização da profilaxia pré-exposição (PrEP) ao HIV entre pessoas situadas em diferentes regiões do continente europeu. O ensaio foi conduzido por Kari Jonas, da Universidade de Maastricht, na Holanda, e outros pesquisadores.
De janeiro a dezembro 2024, 50.330 pessoas HIV negativas e residentes em 50 países da Europa, foram incluídas na pesquisa. Os participantes, em sua maioria autodeclaradas gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens (HSH), foram recrutados de maneira on-line, via redes sociais e aplicativos de namoro, como também presencialmente, por meio de organizações comunitárias.
Todos responderam a questionários sobre conhecimento e a utilização da profilaxia nas moralidades oral diária e sob demanda (PrEP 2+1+1). Vale lembrar que a PrEP injetável de longa duração ainda não está disponível no sistema público de saúde de nenhum país da Europa Continental (todo o território do continente, com exceção das ilhas) e por isso não foi inserida na análise.
No geral, 77% possuíam um conhecimento classificado como “básico” sobre a PrEP oral diária. Esses voluntários sabiam que se tratava de um medicamento administrado diariamente em pessoas HIV negativas e com alta eficácia na prevenção do vírus. No entanto, apenas 46% demonstraram o mesmo nível de conhecimento quando perguntados sobre a PrEP sob demanda.
O uso atual da profilaxia foi considerado alto em vários países da Europa Ocidental, como Reino Unido (41% utilizavam a PrEP), França (39%), Bélgica (36%), Irlanda (30%) e Itália (25%). Nos países do leste europeu, entretanto, esse índice diminuiu significativamente, ficando em 12% na Polônia e na República Tcheca, em 6% na Hungria, na Romênia e no Azerbaijão e em 4% na Rússia.
Pessoas transgênero e não binárias, classificadas como do sexo feminino ao nascerem, apresentaram os níveis mais elevados de necessidades não atendidas relacionadas à PrEP. Somente 18% desse grupo já haviam “discutido” a profilaxia com um profissional de saúde (em comparação com 32% da amostragem geral), 58% não conheciam o medicamento (em comparação com 43%) e apenas 6% usavam a PrEP naquele momento (em comparação com 20%).
Os autores destacam que o conhecimento e a utilização da PrEP, principalmente na modalidade oral diária, atingiram níveis satisfatórios em diversas regiões do continente europeu. De acordo com eles, novos estudos sobre o tema são necessários para que pontos menos explorados, como a descontinuação da profilaxia, possam ser avaliados com maior profundidade.
Fonte: site do Aidsmap, de 17 de novembro de 2025.



