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Beatriz Grinsztejn analisa na GloboNews os impactos da aprovação do lenacapavir pela Anvisa

Fonte: www.ini.fiocruz.br, por Alexandre Magno

A ciência brasileira celebrou, nesta semana, um passo decisivo no combate ao HIV. Em entrevista à GloboNews, a chefe do Laboratório de Pesquisa Clínica em HIV/Aids, IST e Hepatites Virais do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz-RJ (INI/Fiocruz), presidente da International AIDS Society e pesquisadora principal do estudo ImPrEP LEN Brasil, Beatriz Grinsztejn, detalhou a importância da aprovação do lenacapavir pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

O medicamento, que se mostrou eficaz na prevenção de quase todas as infecções nos estudos clínicos, representa uma mudança de paradigma: a transição da pílula diária para uma aplicação injetável realizada apenas duas vezes ao ano.

Beatriz conversou nessa terça-feira (13/1/2026) ao vivo com a apresentadora do Globonews Mais, Barbara Carvalho, no canal de notícias Globonews. Assista a entrevista na íntegra aqui.

Ciência de ponta e participação brasileira

Beatriz destacou que o Brasil teve papel protagonista nessa conquista, participando ativamente do estudo PURPOSE 2, envolvendo o lenacapavir, realizado com gays, bissexuais e outros homens que fazem sexo com homens, travestis e pessoas trans, que demonstrou alta eficácia. “O lenacapavir facilita a adesão, especialmente para as populações mais vulneráveis que, historicamente, têm mais dificuldade em manter o uso diário da PrEP oral”, explicou a pesquisadora durante a entrevista.

Atualmente, embora o Brasil tenha 142 mil usuários de PrEP, há uma disparidade racial e social preocupante: a maioria dos usuários é branca, enquanto o maior número de novas infecções atinge a população negra e com menor escolaridade.

O caminho até o SUS

Apesar do otimismo, a incorporação do medicamento no Sistema Único de Saúde (SUS) não é imediata. Alguns passos são cruciais para isso, como a definição de preço a ser estabelecido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos, e a análise daComissão Nacional de Incorporação de Tecnologias ao SUS (Conitec), que avaliará o custo-efetividade da droga.

O grande entrave é o comércio internacional. O Brasil foi excluído da lista dos países que terão acesso a versões genéricas (com custo entre 40 e 100 dólares anuais). “No Brasil, o medicamento é protegido por patente, o que pode tornar o custo inviável se não houver uma negociação por preços acessíveis”, alertou Beatriz.

Estudo de implementação, o próximo passo do INI

Para preparar o terreno, Beatriz revelou que o INI/Fiocruz, com apoio do Ministério da Saúde, coordenará o estudo de implementação ImPrEP LEN Brasil em nove centros de seis cidades brasileiras. O projeto acompanhará 1.500 pessoas para avaliar a viabilidade logística do injetável na rotina do SUS, “garantindo que a inovação tecnológica se transforme, efetivamente, em acesso para quem mais precisa”.