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O impacto da insegurança alimentar na terapia antirretroviral entre minorias sexuais e de gênero que vivem com HIV durante a pandemia de Covid-19

A insegurança alimentar, segundo a definição do Ministério da Saúde, diz respeito à dificuldade ou impossibilidade de acessar, de forma regular e suficiente, alimentos em quantidade e qualidade adequadas para uma vida saudável. Para pessoas vivendo com HIV, a insegurança alimentar representa uma barreira significativa para a adesão à terapia antirretroviral (TARV).

Nesse contexto, um artigo publicado na edição de junho de 2026 no periódico AIDS and Behavior investigou os impactos da insegurança alimentar durante a pandemia de Covid-19 entre minorias sexuais e de gênero, assim como a associação entre insegurança alimentar e não adesão à TARV entre essa população. O artigo foi conduzido por Giovanna Costa e outros colaboradores do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz-RJ*.

Ao todo, 22.327 voluntários foram incluídos por meio de aplicativos de relacionamento e redes sociais em três momentos: 2020, no início da pandemia; 2021, ainda em sua vigência; e 2024, momento pós-pandêmico. Deste total, 4.006 (17,9%) eram pessoas vivendo com HIV. A insegurança alimentar foi medida por uma versão da Escala Brasileira de Insegurança Alimentar, enquanto a não adesão à TARV foi definida como adesão inferior a 100% nos últimos 30 dias.

Os resultados mostram uma queda da insegurança alimentar ao longo do tempo: no início da pandemia, apenas 45,3% dos participantes não relataram insegurança alimentar, tendo esse percentual subido para 57,9% em 2021 e 63,5% em 2024. Além disso, os autores notaram que as pessoas com HIV possuíam 21% mais chances de experienciar a insegurança alimentar em comparação com as pessoas HIV negativas.

Por sua vez, entre as pessoas que viviam com HIV em uso de TARV, a não adesão ao tratamento aumentou ao longo do tempo, passando de 18,9% no início da pandemia para 28,4% em 2021 e 31,9% em 2024. Esses dados indicam que, embora a insegurança alimentar tenha diminuído nos períodos analisados, ela permaneceu associada a desigualdades e a maiores dificuldades na continuidade do cuidado em HIV.

O estudo reforça a necessidade de políticas de saúde que não se limitem à oferta de medicamentos, mas considerem fatores que comprometem a adesão à TARV, como a insegurança alimentar e outras barreiras estruturais de desigualdade.

Link para o artigo: https://link.springer.com/article/10.1007/s10461-026-05213-3

Autores*: Giovanna Costa, Paula Luz, Vanessa Oliveira, Beatriz Grinsztejn, Valdiléa Veloso e Thiago Torres, todos do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, Fiocruz, Rio de Janeiro, Brasil.