Causa da morte hospitalar entre pacientes vivendo com HIV
Apesar do crescente acesso à terapia antirretroviral (TARV) e aos cuidados relacionados à infecção pelo HIV, o número de mortes em decorrência do vírus permanece elevado em quase todas as regiões do mundo.
Estudo conduzido por Rachael Burke, da Escola de Higiene e Medicina Tropical, em Londres, no Reino Unido, e outros pesquisadores, examinou as tendências globais de causas de óbitos entre pessoas vivendo com HIV internadas em hospitais. O ensaio foi publicado, em 9 de junho de 2026, no Journal of the International AIDS Society.
De janeiro de 2014 a dezembro de 2023, os investigadores realizaram uma revisão sistemática, por meio de oito grandes bancos de dados internacionais, para identificar estudos que relatassem a causa da morte entre pessoas com um diagnóstico positivo de HIV, internadas em hospitais públicos e particulares. Foram extraídos dados sobre idade, região geográfica, carga viral e o tipo de enfermaria utilizada pelos pacientes.
No total, 67 estudos, que contavam com 59.013 participantes de todos os continentes, acabaram incluídos na pesquisa. A taxa geral de óbito foi de 16%. O risco de morte hospitalar foi maior entre adultos que estavam em centros de terapia intensiva (44%), adultos do continente africano (19%) e adultos do sudeste da Ásia (18%). Quase 90% das mortes foram registradas em pacientes que não tinham o vírus suprimido no momento da admissão na unidade de saúde.
As doenças oportunistas associadas à aids foram responsáveis por 72% dos óbitos, incluindo tuberculose (27%), pneumonia (15%), criptococose (9%), toxoplasmose (7%), citomegalovírus (7%), cânceres (4%) e histoplasmose (2%). Infecções bacterianas foram a causa de 25% das mortes. Esses índices não sofreram alterações significativas ao longo do período investigado.
Os autores afirmam que, apesar dos avanços no tratamento do HIV, as doenças relacionadas à aids, além das infecções bacterianas, continuam sendo as principais causas de mortes hospitalares entre pessoas vivendo com o vírus. Segundo eles, é necessário priorizar o atendimento clínico de alta qualidade para infecções oportunistas, a fim de reduzir o número de óbitos em decorrência do HIV/aids.
Fonte: site do Journal of the International AIDS Society, de 9 de julho de 2026.



