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Folha de SP: farmacêutica libera injeção contra HIV para estudo da Fiocruz em sete cidades do país

Por Bruno Lucca, Folha de São Paulo, 16/1/2026

A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) está prestes a iniciar um estudo para avaliar a implementação do lenacapavir, injeção semestral de prevenção ao HIV, ao SUS (Sistema Único de Saúde). Chamado ImPrEP LEN Brasil, o projeto irá disponibilizar o medicamento em sete cidades do país: São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Florianópolis, Manaus, Campinas (SP) e NovaIguaçu (RJ).

O público alvo será o considerado mais vulnerável à infecção: homens gays e bissexuais, pessoas não binárias identificadas como do sexo masculino ao nascer e pessoas transgênero, de 16 a 30 anos. Não haverá recrutamento para participação. Ela será espontânea. Um indivíduo do grupo mapeado que chegar a um centro de saúde buscando a PrEP (profilaxia pré-exposição) terá a opção de tomar o lenacapavir ou a combinação já distribuída no Brasil desde 2018, um comprimido diário combinando os antirretrovirais tenofovir e entricitabina.

“Assim, vamos avaliar o interesse e a logística para aplicação da injeção”, diz Beatriz Grinsztejn, pesquisadora principal do ImPrEP LEN Brasil e presidente da International Aids Society (Organização Internacional da Aids, em português). “Estamos muito animados.”

A Gilead Sciences, fabricante do lenacapavir, já disponibilizou doses para o projeto. Seu início só depende da chegada de agulhas específicas ao país. O estudo é financiado pela Unitaid, iniciativa global de saúde que trabalha com parceiros para trazer inovações para prevenir, diagnosticar e tratar as principais doenças em países de baixa e média renda.

O intuito do estudo é subsidiar o Ministério da Saúde numa análise de implementação do lenacapavir ao SUS. Na segunda-feira (12/1/2026), a Anvisa aprovou o registro do medicamento em território nacional. Apesar disso, o produto ainda depende da definição do preço máximo pela CMED (Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos. A disponibilização no sistema público de saúde será avaliada pela Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS) e pelo governo.

O valor do produto deve ser o principal empecilho para sua distribuição gratuita. O tratamento hoje custa US$ 25,3 mil por pessoa ao ano (cerca de R$ 136 mil) nos Estados Unidos, podendo chegar a US$ 44,8 mil (R$ 241 mil) em algumas situações. Uma opção seria a fabricação da fórmula genérica, que, conforme a Lancet, poderia custar de US$ 25 a US$ 47 por ano (de R$ 135 a R$ 253). Isso, porém, não acontecerá no Brasil.

Desde o ano passado, a Gilead realiza acordos de licenciamento para a produção de fórmulas genéricas do lenacapavir em todo o mundo. Foram contemplados, até agora, 120 países, considerados pela empresa os mais vulneráveis pela baixa renda da população. O Brasil não foi um deles. Nem será, segunda farmacêutica.