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Sinais de alerta sobre a “droga milagrosa” do HIV na África Subsaariana

Em 2019, a Organização Mundial da Saúde começou a recomendar o dolutegravir como o tratamento de primeira linha preferido para o HIV na maioria das populações. O medicamento foi apelidado de “droga milagrosa” porque era seguro, potente, econômico e os cientistas não observaram resistência contra ele em testes clínicos. No entanto, existiam poucos dados sobre o sucesso do dolutegravir contra as cepas de HIV em circulação na África Subsaariana.

Em um estudo publicado no dia 1º de dezembro, na revista científica Nature Communications, uma equipe de pesquisadores da África do Sul, Reino Unido e Estados Unidos examinou o código genético do HIV para determinar se as mutações de resistência aos medicamentos, em 874 voluntários vivendo com HIV, afetariam o sucesso do tratamento. Os indivíduos foram inscritos em um ensaio clínico que comparava dois tipos de tratamentos na África Subsaariana: com o efavirenz, uma droga mais antiga, utilizada em larga escala na região, e com o dolutegravir.  No entanto, o estudo apontou que dolutegravir pode não ser tão eficaz em pacientes que já são resistentes aos medicamentos mais antigos.

À medida em que o HIV se copia e se replica, ele pode desenvolver “erros” ou mutações em seu código genético. Embora uma droga possa inicialmente ser capaz de suprimir o vírus, certas mutações podem permitir que ele desenvolva resistência aos seus efeitos. Se uma cepa mutante começar a se espalhar dentro de uma população, isso pode significar que medicamentos antes eficazes não sejam mais capazes de combater a infecção pelo HIV.

O tratamento do HIV geralmente consiste em um coquetel de medicamentos que inclui uma substância conhecida como inibidor da transcriptase reversa não-nucleosídeo (NNRTI). No entanto, nos últimos anos, o HIV começou a desenvolver resistência aos NNRTIs. Cerca de 15% dos pacientes, em grande parte da África Subsaariana, estão infectados por uma cepa de HIV resistente a esses medicamentos. Se um paciente estiver infectado com uma cepa resistente a NNRTI, ele terá um risco de duas a três vezes maior de falha do esquema medicamentos.

O estudo apontou que a resistência aos medicamentos reduziu substancialmente as chances de sucesso do tratamentoem pessoas que tomaram efavirenz ao longo de 96 semanas (65% dos participantes). Entretanto, inesperadamente, o padrão se manteve nos indivíduos que fizeram tratamento à base de dolutegravir: somente66% dos voluntários tiveram supressão viral ao longo do mesmo período.

“Esperávamos que o efavirenz fosse menos eficaz entre os pacientes com cepas de HIV resistentes aos NNRTIs”, disse Mark Siedner, membro do corpo docente do Instituto de Pesquisa em Saúde da África, em KwaZulu-Natal, África do Sul. “O que nos pegou de surpresa foi o dolutegravir, uma droga geralmente eficaz em face à resistência aos medicamentos, também ser menos efetivo em pessoas com essas cepas”, finalizou Siedner.

Fonte: site do Medicalexpress, de 1◦ de dezembro.

(https://medicalxpress.com/news/2020-12-effectiveness-hiv-drug-sub-saharan-africa.html)